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A Revolução do Vitaphone
A Revolução do Vitaphone

Dessa forma, cada um desenvolveu suas habilidades e fez da Warner um dos maiores estúdios em pouco mais de dois anos. Sam apostava na sonorização dos filmes e convenceu os irmãos a investir no desenvolvimento do Vitaphone, em conjunto com a Western Electric. Já em 1926, o aparato - que tocava um disco em baixa rotação, com os sons que deveriam acompanhar o filme - estava pronto para funcionar e foi com o Vitaphone que a Warner produziu e lançou Don Juan, o primeiro filme com acompanhamento musical em disco (até então, esse acompanhamento era feito com uma pequena orquestra ou, em exibidores menores, por um pianista). Foi um sucesso.

Imediatamente, a Warner começou a produzir um filme falado - uma idéia das mais ousadas para a época.

Cartaz do filme 'O Cantor de Jazz'
Cartaz do filme "O Cantor de Jazz"

Em 1927, O Cantor de Jazz chegava às telas com a novidade. Graças aos irmãos Warner, os filmes já não tinham mais que ser mudos. No ano seguinte, a técnica melhorou: enquanto o primeiro filme era composto, basicamente de canções, Lights of New York era composto inteiramente por diálogos. No mesmo ano, o entusiasta do Vitaphone, Sam Warner, faleceu. Na qualidade de presidente da empresa, Harry usou toda sua astúcia financeira para fortalecer cada vez mais o estúdio. Seu método não era dos mais econômicos - a Warner foi a primeira a produzir filmes caros - mas o irmão mais velho era um bom jogador, que sabia onde apostar. Assim, eles compraram a Vitagraph, uma das companhias pioneiras do cinema americano, e a First National, empresa que possuía o maior número de cinemas nos EUA, em 1929.

A distribuição, à cargo de Albert, era um trunfo da empresa: seus filmes rompiam barreiras e, além de chegar a praticamente todos os estados dos EUA, chegavam também aos principais países da Europa e começavam a ser vistos em alguns países de outros continentes - inclusive no Brasil.
O nome Warner Brothers já era conhecido no mundo todo. Com a morte de Sam e a chegada de novas técnicas para filmes sonoros - o Vitaphone dava problemas de falta de sincronização com a imagem - a Warner decidiu inovar no estilo de filmes. Assim surgiram filmes realistas, que mostravam o submundo pobre e criminoso dos EUA, como O Fugitivo, de 1932 e Idade Perigosa, de 1933. E, claro, os filmes de gangsters. Na produção, Jack Warner era soberano. Suas diretrizes tinham força de lei na companhia. Com Alma no Lodo, de 1930 - e já trazendo Edward G. Robinson no papel principal - a Warner inaugurou uma série de filmes que mostravam os mais poderosos e ricos foras-da-lei da América, os gangsters.

Al Capone, símbolo de filmes de Gangsters
Al Capone, símbolo de filmes de Gangsters

Em plena época da lei seca e com Al Capone nas manchetes dos jornais de Chicago, o filme - cuja história foi tirada de um livro baseado no próprio Capone - foi um sucesso. E, mesmo durante a depressão, a bilheteria para este e para Inimigo Público, de 1931, com James Cagney no papel principal, foram bem polpudas. No entanto, graças à proliferação de filmes violentos, a M.P.A.A. (Motion Picture Association of America), órgão responsável pela classificação do cinema desde aquela época, fixou um rígido código proibindo cenas de violência explícita e histórias em que criminosos se davam bem.